Bancada de uma pequena oficina com materiais reaproveitados e um notebook, à meia-luz

Pesquisa

Adaptação, complexidade sistêmica e criação de valor em contextos de policrise

Investigo como pequenas empresas percebem e se reorganizam em contextos de policrise, marcados por transformações simultâneas, retroalimentações nem sempre visíveis e rupturas econômicas, tecnológicas, socioambientais, políticas e geracionais capazes de reconfigurar tanto a organização quanto o sistema em que ela opera.

A investigação também considera que organizações são sistemas humanos: percepção, comparação, reconhecimento, identidade, comportamento coletivo e processos não plenamente conscientes podem influenciar aquilo que conseguimos perceber, interpretar e construir em conjunto.

Pesquisa

Uma investigação em desenvolvimento

A pesquisa parte de uma questão mais ampla: como organizações percebem, se reorganizam e criam valor quando diferentes transformações acontecem ao mesmo tempo e o próprio contexto continua mudando.

No doutorado em Economia Circular e Produção Sustentável, essa investigação se concentra na relação entre práticas de economia circular, produção sustentável e capacidade adaptativa de pequenas empresas em contextos de policrise.

Questão de orientação

Como compreender e responder a realidades em que os problemas estão conectados e se retroalimentam de formas nem sempre visíveis, os recursos são limitados, diferentes partes envolvidas e afetadas percebem a realidade por lentes distintas e o próprio contexto segue mudando — por vezes de forma abrupta — enquanto ainda tentamos compreendê-lo?

Núcleo doutoral · em desenvolvimento

Economia circular, produção sustentável e capacidade adaptativa

Economia circular e produção sustentável são investigadas aqui não apenas como respostas ambientais, mas como práticas que podem alterar fluxos, recursos, dependências, processos e relações dentro de sistemas organizacionais sujeitos a transformação.

O interesse é compreender em que condições essas práticas se relacionam com maior capacidade de reorganização — e também quando seus efeitos são limitados, deslocados ou produzem novas dependências.

Questão de investigação · em desenvolvimento

Como práticas de economia circular e produção sustentável se relacionam com a capacidade adaptativa de pequenas empresas em contextos de policrise?

A formulação permanece aberta a relações positivas, negativas, condicionais, fracas ou inexistentes.

O que significa adaptação nesta investigação

Capacidade adaptativa não é tratada como simples resistência nem como retorno ao estado anterior. Refere-se à possibilidade de perceber mudanças, revisar premissas e reconfigurar recursos, processos e relações à medida que o próprio sistema se transforma.

Adaptar-se não significa necessariamente preservar tudo o que existia antes. Em determinados contextos, continuidade pode depender justamente da capacidade de abandonar, recombinar ou transformar estruturas anteriores.

Tese e hipótese

Tese em construção

Em contextos de policrise, a relação entre economia circular, produção sustentável e capacidade adaptativa parece depender menos da adoção isolada de práticas e mais de como essas práticas se articulam aos recursos, processos, dependências e relações da organização.

Esta proposição orienta a investigação e permanece aberta à revisão conforme literatura, evidências e desenho metodológico sejam aprofundados.

Hipótese de trabalho · em investigação

Pequenas empresas que integram práticas de economia circular e produção sustentável aos seus recursos, processos e relações tendem a apresentar maior capacidade adaptativa diante de disrupções do que organizações em que essas práticas permanecem isoladas ou pontuais.

A hipótese não constitui resultado demonstrado. Ela deverá ser testada, refinada ou eventualmente rejeitada ao longo da investigação.

Arquitetura conceitual da investigação · em desenvolvimento

Lente principal

Complexidade sistêmica

Contexto · Policrise

Campo de observação

Pequenas empresas

Fenômeno central

Capacidade adaptativa

Núcleo doutoral

Economia circular e produção sustentável

Dimensões transversais

Fatores humanos e percepção · Tecnologia, IA e disrupção

Dimensão de observação dos efeitos

Criação de valor e efeitos produzidos no sistema

As relações entre essas dimensões permanecem em investigação.

Lente principal · complexidade sistêmica

Lente teórica

Problemas conectados, efeitos que retornam

Nem sempre o problema que aparece primeiro revela as relações e condições que contribuem para sua permanência ou recorrência. Em sistemas complexos, mudanças podem produzir efeitos indiretos, atrasados ou inesperados, e respostas locais podem alterar outras partes do sistema.

Como distinguir o efeito que se torna visível das relações e condições que contribuem para sua permanência ou recorrência?

Aquilo que um modelo não mede não deixa necessariamente de existir.

contexto em transformação— parte ativa do sistemaeconômicatecnológicasocialhumanaambientalinstitucionalpolítica e regulatória

Dimensões ilustrativas. As dimensões e relações relevantes mudam conforme o contexto.

Representação conceitual — não constitui modelo causal ou estrutura fixa.

Vista aérea noturna de cidade ribeirinha entre floresta, porto e vias iluminadas

Contexto · policrise

Quando o contexto muda enquanto ainda tentamos compreendê-lo

Transformações econômicas, tecnológicas, socioambientais, políticas e geracionais podem ocorrer simultaneamente, interagir entre si e modificar recursos, relações, mercados e formas de criação de valor.

O contexto não funciona apenas como cenário externo. Organizações também agem sobre ele, recebem seus efeitos e participam de novas retroalimentações.

Pequena oficina de reaproveitamento de materiais iluminada por uma lâmpada

Núcleo doutoral

Circularidade, produção sustentável e reorganização de recursos

Práticas de economia circular podem alterar fluxos de materiais, energia, informação, conhecimento e recursos. A investigação busca compreender quando essas mudanças ampliam possibilidades de adaptação e quando apenas deslocam impactos ou criam novas dependências.

  • Quais dependências tornam uma pequena empresa mais vulnerável diante de uma ruptura?
  • Que recursos, fluxos ou processos podem ser reorganizados sem transferir o problema para outra parte do sistema?
  • Quando circularidade deixa de representar apenas eficiência e passa a participar da capacidade adaptativa da organização?

Dimensão de observação

Criação de valor e efeitos deslocados

Uma mudança pode produzir valor em determinado ponto do sistema e, ao mesmo tempo, gerar novas dependências, impactos ou vulnerabilidades em outro. Por isso, criação de valor interessa não apenas pelo resultado imediato, mas também pelos efeitos que permanecem, retornam ou se deslocam ao longo do tempo.

Como reconhecer criação de valor sem observar apenas o efeito mais imediato ou transferir impactos para outra parte do sistema?

Dimensão transversal

Tecnologia, IA e novas dependências

Tecnologias emergentes podem reduzir determinados limites e, ao mesmo tempo, criar novas dependências, alterar funções, deslocar competências e modificar a forma como recursos e conhecimento circulam dentro das organizações.

  • Que vulnerabilidades uma nova tecnologia reduz — e quais pode criar?
  • Quando a tecnologia amplia capacidade adaptativa e quando apenas transfere dependências para outra parte do sistema?

Dimensão transversal · fatores humanos e limites da percepção

Entre informação e ação existe o ser humano.

Percepção, identidade, pertencimento, reconhecimento, comparação e processos não plenamente conscientes podem alterar a forma como uma mesma realidade é interpretada. Isso não significa reduzir fenômenos organizacionais a características individuais, mas reconhecer que organizações também são sistemas humanos.

Se diferentes pessoas observam o mesmo sistema a partir de referências distintas, o que cada uma consegue perceber — e o que permanece fora de seu campo de visão?

Sombras humanas projetadas por fogo na parede de uma caverna

Limites da percepção

Lente filosófica

O que percebemos é a realidade inteira ou apenas aquilo que nossas condições, referências e instrumentos nos permitem perceber?

A Alegoria da Caverna, apresentada por Platão em A República, oferece uma lente filosófica para refletir sobre a diferença entre realidade, percepção e interpretação.

Quem investiga também observa a partir de determinadas lentes. Reconhecer essa limitação aumenta a importância do método, do confronto entre evidências e da disposição para revisar premissas.

Em aberto

Questões em investigação

  • Como pequenas empresas percebem mudanças antes que elas se transformem em rupturas?
  • Que retroalimentações permanecem invisíveis quando observamos apenas o efeito imediato?
  • Como práticas de economia circular e produção sustentável se relacionam com capacidade adaptativa em diferentes contextos?
  • Como fatores humanos influenciam aquilo que uma organização consegue perceber e revisar?
  • Como tecnologias emergentes alteram recursos, dependências e possibilidades de reorganização?
  • Como saber se uma adaptação resolveu um problema ou apenas o deslocou no espaço, no tempo ou para outra parte do sistema?

Como ler esta página — tipos de conhecimento

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A docência transforma questões desta pesquisa em percursos de aprendizagem.